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Ex-Titãs leva olhar autoral para repertório do Secos & Molhados.

Charles Gavin (ex-Titãs) tinha, como ele diz, “12 para 13 anos” quando saiu o primeiro disco do Secos & Molhados. À época, corriam os dias de 1973 e tanto o adolescente paulistano quanto o Brasil procuravam desvendar que raios era aquele ovni sonoro que aterrizava na fauna musical tupiniquim.

 

“Não me lembro de uma banda que tenha provocado tanta discussão como eles”, opina o baterista sobre a banda composta pelos extravagantes (visual e musicalmente) João Ricardo, Ney Matogrosso e Gérson Conrad.

 

Claro, para um garoto, com a exceção da singela “O Vira”, a força poética e política das canções do álbum não eram acessíveis. “Fui entender as letras mais tarde”, reconhece ele que, 44 anos depois do lançamento do célebre álbum, encabeça o projeto Primavera nos Dentes, que acabou de soltar um disco homônimo com o repertório dos dois primeiros álbuns do Secos & Molhados.

 

Além de Gavin, a banda é formada por Paulo Rafael (guitarra), Duda Brack (vocal), Pedro Coelho (baixo) e Felipe Ventura (violino e guitarra). Juntos, eles se debruçaram sobre as composições que o ex-baterista do Titãs está rotulando de “música clássica popular brasileira”.

 

“Estou chamando assim porque essa definição não cabe apenas a (Heitor) Villa-Lobos. Mas também Mutantes, Rita Lee, Caetano (Veloso)... Isso é clássico: uma música que ficou atemporal e que a gente pode ouvir hoje ou daqui a cem anos”, destaca.

 

OLHA AUTORAL

 

Foi impulsionado por tudo isso que os músicos se juntaram para revisitar temas como “O Patrão Nosso de Cada Dia”, “O Hierofante” e “Primavera nos Dentes”.

 

Nos ensaios iniciais, porém, algo parecia não se encaixar. “A primeira música que pegamos foi ‘Delírio’. Não tava soando legal com o arranjo original”, conta Gavin.

 

Foi aí que o quinteto decidiu tomar caminhos sonoros diferentes do que aqueles eternizados pelos Secos & Molhados. “Eu disse: ‘olha só: a gente reproduz o que tá aqui e vai ter dificuldade; ou tentamos algo mais estranho, lançamos um olhar autoral’”, rememora.

 

Com a segunda opção em mente, “Delírio”, por exemplo, toma caminhos diferentes dos da faixa originalmente lançada em 1974. Nas mãos do Primavera nos Dentes, a música carrega um ar mais roqueiro. O pulsante baixo inicial ganha a companhia de uma guitarra estridente. Na sequência, o vocal de Duda Brack dá as caras enquanto ao seu encalço segue o violino urgente de Felipe Ventura.

 

Já o clássico “Rosa de Hiroshima”, por exemplo, ganha elementos eletrônicos obscuros. Há um clima sombrio, algo dark wave.

 

Os puristas, obviamente, estranharão esses novos elementos. Mas o álbum não se pauta em descaracterizar o universo criado por Ney Matogrosso & cia., pelo contrário: há, em cada uma das 11 faixas do trabalho, algo que remeta às suas respectivas composições originais. “Há sempre um elemento do arranjo principal para não perder o fio condutor, nem que seja a melodia de voz”, conclui Charles Gavin sobre o álbum já lançado digitalmente e que deve sair no próximo mês no formato físico.

 

Primavera nos Dentes - Primavera nos Dentes

 

Deck, 11 faixas. Disponível nas principais plataformas de streaming. A versão física será lançada em dezembro.

 

Fonte:https://www.gazetaonline.com.br/entretenimento/cultura/2017/11/ex-titas-leva-olhar-autoral-para-repertorio-do-secos--molhados-1014108202.html

 

Da Redação Multimídia

Departamento de Jornalismo (com informações: Gazeta Online)
Kairós FM

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