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"Psicopatas como o Hilário não têm cura", diz secretário de segurança

Depois de uma semana de silêncio e com o ex-marido, Hilário Frasson, e o ex-sogro, Esperidião Carlos Frasson presos, a polícia esclareceu parte das dúvidas sobre a morte da médica Milena Gottardi. Em entrevista ao Bom Dia Espírito Santo, da TV Gazeta, o Secretário de Segurança, André Garcia, explicou como funcionou a investigação até aqui, disse que Hilário vai ser investigado pela Corregedoria da Polícia Civil e pediu que mulheres denunciem os casos de violência. "É importante procurar a polícia.Tem que pensar mais em você, mulher. Por que esses casos de homens violentos, esses psicopatas como o Hilário, esses não têm cura", afirmou.

 

Confira a entrevista completa

 

O Hilário passou a noite, cerca de quase três horas, em depoimento. O que ele revelou para a polícia?

 

Ele se negou a falar sobre detalhes da dinâmica do crime e sobre os acertos que foram feitos, dizendo que só fala depois que a defesa tiver acesso ao inquérito.

 

E quando a defesa vai ter acesso ao inquérito?

 

A partir de ontem (quinta) com o levantamento do sigilo, essa questão vai ser solucionada e a defesa terá acesso ao inquérito e, posteriormente, ao processo.

 

Ele se negou a falar, mas pela investigações já dá saber o que motivou esse crime? Foi estritamente passional ou teve alguma questão econômica?

 

É difícil nesse momento a gente precisar a motivação, por que isso vai muito da cabeça da pessoa e ela não revela isso tão facilmente. Mas há um histórico aí, que a gente viu na reportagem, esse relato passo a passo, a carta deixada por ela, que aponta muito da personalidade dele e de um histórico de violência doméstica. E isso é muito perigoso. Quando começam esses atos de violência doméstica, normalmente isso resulta na morte da vítima, em um feminicídio.

 

O fato da polícia ter essa carta em mãos há algum tempo, já não era prova para chegar ao ex-marido?

 

Não era prova do fato, era prova da personalidade e do comportamento, que faz parte do conjunto probatório para você chegar à responsabilização de alguém por determinada ação ou omissão. Era uma indicação de que havia um sujeito com personalidade agressiva, um sujeito contraditório, dissimulado, frio. Mas havia necessidade de ter paciência na produção da prova, para gente evitar mais para frente, no processo, que questões sejam levantadas com relação a sua participação efetiva. Um coisa é o histórico de vida, a personalidade, outra coisa é se ele fez ou não fez, participou ou não do fato.

 

Além da carta, o que a polícia conseguiu contra o ex-marido?

 

São vários elementos de prova, alguns deles eu posso falar, outros não. Mas que consideraram depoimentos, o celular dele que foi estratificado e retirado dados, informações, ligações, pegamos todo o histórico de ligações do executor, do mandante, dos intermediários. Toda cadeia foi sendo montada já a partir da quinta-feira. São cinco presos e mais um foragido.

 

Sobre o Dionathas, o advogado dele disse que ele está com muito medo, que teme pela própria vida.

 

É natural pelo histórico dos mandantes, especialmente o pai do Hilário, que tem um histórico que está sendo levantado de crimes no passado. O pai dele, especialmente, é reconhecidamente muito violento. E o Hilário, como vimos, uma personalidade muito fria e que em função do que foi revelado nas investigações é um sujeito a ser temido mesmo.

 

O advogado do Dionathas disse que ele estava com medo até do mosquito dentro da prisão e que ele queria falar novamente. Ele foi ouvido de novo?

 

Ele foi ouvido, vai ser ouvido novamente por que isso é praxe no inquérito. O importante é que todas as informações fornecidas por ele e pelo intermediário, no caso o Valcir, foram fundamentais para que a polícia chegasse a esse desfecho.

 

O advogado do Dionathas disse que vai pedir proteção para ele. Isso é possível?

 

Ele já está preso, e nós estamos com atenção para ele. Desde o primeiro dia, nós já tínhamos desconfiança de que não parecia ser um caso de latrocínio. Nós pedimos a Justiça uma atenção especial para ele. O sistema prisional está muito adequado, seguro, e acredito que ele está em boas condições.

 

Todas as prisões são temporárias, de 30 dias, podendo ser prorrogadas?

 

Sim. O inquérito será concluído, haverá o indiciamento e, por aí, essas prisões poderão ser, inclusive, convertidas em prisões preventivas. A preventiva tem um prazo de duração mais longo para garantir que o processo transcorra normalmente com essas pessoa segregadas, sem condições de interferir no processo ou no testemunhos de outras pessoas,s em ameaças a terceiros. Essa é uma garantia da legislação para o processo siga tranquilamente.

 

O celular do ex-marido e a arma foram recolhidos. Por que a arma dele foi recolhida naquele momento?

 

No dia da morte da Dra. Milena começaram a chegar informações com relação ao relacionamento que eles mantinham, o fato deles estarem se separando, e por cautela, em um primeiro momento, a chefia da polícia civil determinou o recolhimento da armada dele, para que ele não cometesse um atentado, ou contra a vida dele, ou contra a vida dos filhos. Em um segundo momento a gente viu, que ele precisava mesmo ficar desarmado e passamos a fazer uma vigilância velada ao Hilário.

 

Mas ele continuou trabalhando? Por que ele não foi afastado?

 

Não havia elementos, do ponto de vista formal, para poder afastá-lo. Mas algumas precauções foram adotadas tanto com relação a ele, quanto com relação à família, que nós passamos a acompanhar. A família foi para um local mais seguro. Enquanto a gente não terminasse as investigações foram feitas essas ações para que ele continuasse agindo "normalmente", da forma dissimulada como ele agiu e nós conseguíssemos acompanhá-lo, investigá-lo e coletar as provas que estavam faltando para realizar a prisão. Tudo isso foi feito em uma estratégia muito bem traçada pela Polícia Civil, de forma que ele fosse pego nas condições de ser preso.

 

Foi um caso todo mantido em sigilo, a polícia preferia o silêncio e falava "espera, espera". Por que isso?

 

De certa forma nós fomos muito criticados por alguns, achando que esse sigilo seria por outro motivo. A questão da consternação e do sofrimento também dos policiais. A polícia investiga, mas sente também. Porque são elementos, todos, muito tristes. Nós entendemos pelo sigilo por causo do envolvimento de um policial. Havia necessidade de se preservar o que estava sendo feito, de impedir o acesso dele ao inquérito e de dificultar algum tipo de interferência na investigação.

 

Mas ele estava trabalhando. Isso não poderia permitir algum tipo de interferência?

 

De forma nenhuma. Ele não era um policial operacional, não estava no DHPM, não tinha nenhum acesso ao inquérito e nem sabia quem estava sendo ouvido.

 

Mas de um forma ou outra, ele é um Policial Civil, sabe como a polícia trabalha, conhece os processos de investigação. Como você vê um Policial Civil participando de um crime como esse?

 

Eu vejo como muita tristeza, por que o juramento que se presta não é para isso. É para proteger e defender a vida, ainda mais da família. Um ato cruel desse, ele o fez sabendo que os filhos iam ficar sem a mãe e sem o pai, porque a polícia ia chegar nele. Como secretário de segurança o sentimento é de decepção. Mulheres se preocupam com as famílias. A Dra Milena não pediu a medida protetiva de urgência, prevista na lei Maria da Penha, para proteger a carreira do Hilário, para evitar que ele fosse prejudicado nas promoções. O cenário que envolve a morte da mulher em um caso de feminicídio clássico, apontam para a necessidade de um reflexão maior, principalmente pelo homem capixaba. A gente precisa mudar essa cultura machista. O feminicídio é precedido de atos de violência, nem sempre violência física, mas psicológica, constrangimentos, grosserias constantes que levam a mulher a sofrimento. Nesse cenário a família tem que estar atenta, porque a mulher as vezes está envolvida, quer recuperar a relação. Chegou a hora da gente repensar, e aqui eu falo especialmente para os homens, o que estamos fazendo com nossas mulheres e o que estamos ensinando aos nossos filhos.

 

O inquérito já foi completamente concluído? Quais são os próximos passos?

 

O inquérito deve ser concluído nos próximos dias. Os passos são: o relatório, o indiciamento de todos, o Ministério Público oferece a denúncia e a partir daí, recebida a denúncia, eles são tratados como réus e processados. Enquanto Policial Civil, o Hilário será investigado também pela Corregedoria.

 

Fonte: www.gazetaonline.com.br

   

Da Redação Multimídia
Departamento de Jornalismo (com informações: )
Kairós FM

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