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Mais de 1.600 funcionários da Petrobras no ES vão pagar rombo bilionário

Adão Luiz de Souza contribuiu por 29 anos para o plano da Petrobras. Agora, diz que, por suas contas, vai ter R$ 2.800 descontados de seu salário todo mês
Foto: Guilherme Ferrari

Mais de 1,6 mil funcionários da Petrobras no Estado, entre ativos, aposentados e pensionistas, vão ajudar a pagar por 18 anos o rombo de R$ 14 bilhões por perdas registradas pela fundação de seguridade social da empresa, o Petros. O valor total a ser coberto é de R$ 27,7 bilhões, 60% fruto de maus investimentos – alguns investigados pela Polícia Federal na Operação Lava Jato – e crise econômica, e 40% resultado de reajustes e envelhecimento da população.

No plano, em todo o país, há 65 mil aposentados e pensionistas e 11 mil trabalhadores da ativa. Desses, 1.652 são segurados capixabas, sendo 412 ativos e 1.240 aposentados e pensionistas. Todos eles vão dividir o prejuízo com a Petrobras, a BR Distribuidora e o próprio Petros. A empresa vai contribuir com R$ 13,7 bilhões, R$ 1,5 bilhão já no primeiro ano.

Quanto maior a renda, maior o valor a ser pago. Só as contribuições adicionais variam de R$ 88,50 a R$ 5.237,98 para ativos, e de R$ 125,28 até R$ 5.490,87 para inativos, além das taxas já pagas pelos segurados.

R$ 5.223 de contribuição total

É o valor do desconto total no salário de um aposentado que ganha R$ 15 mil

Um aposentado que recebe R$ 15 mil, por exemplo, além de já pagar R$ 1.577,33, terá que desembolsar mais R$ 3.646. Ou seja, vai ter que deixar para o Petros um terço de seu rendimento. Já o ativo que recebe o mesmo valor terá descontado R$ 2.576,54 a mais, totalizando R$ 4.153,87 a menos do salário.

De acordo com o diretor da Federação Única dos Petroleiros (FUP) e conselheiro deliberativo do Petros, Paulo Cesar Martin, o plano foi criado em 1970. Há outro plano de previdência criado em 2008, onde estão 50 mil empregados da Petrobras e 2 mil aposentados e pensionistas. Nele, a situação é de superávit.

“A legislação determina que o equacionamento do déficit pode ser feito por um valor mínimo, e nessa proposta foi calculado pelo máximo. O valor mínimo a ser pago seria R$ 16 bilhões. Ou seja, a legislação obriga a equacionar esse valor e eles querem equacionar tudo, os R$ 27 bi, uma diferença de R$ 11 bi”, explica Martin. “O equacionamento pelo valor máximo vai estabelecer uma contribuição adicional por 18 anos que vai inviabilizar a sobrevivência de muitas famílias”.

 

JUSTIÇA

A proposta foi aprovada no conselho deliberativo do Petros e ainda vai ser analisada pelo conselho de administração da Petrobras e pela Secretaria de Coordenação e Governança das Empresas Estatais (Sest). Se aprovada, deve ser implementada no prazo de 60 dias. “Até lá, vamos entrar com uma ação para obrigar o pagamento pelo valor mínimo. Além disso, temos ações que cobram dívidas na Justiça e, se a gente ganhar, a Petrobras terá que pagá-las, o que vai aumentar o patrimônio”, diz Martin.

R$ 4.153 de desconto total

É o valor total que um funcionário ativo terá a menos no salário se ganhar R$ 15 mil

Segundo a diretora do Sindicato dos Petroleiros do Espírito Santo (Sindipetro), Priscila Patrício, há ainda outras questões.

“A gente questiona qual é o valor real do déficit, porque a conta do Petros não bate com a nossa. Há partes que são responsabilidade da Petrobras e que os trabalhadores estão tendo que pagar. Um exemplo são reajustes salariais que a empresa concedeu. Com esse desconto a mais, fica muito pesado para o trabalhador. Além disso, esse valor extra não pode ser deduzido do imposto de renda. A gente é contra isso”, comenta.

 

ENTENDA

O que é

 

Petros 1

É um plano de previdência complementar para os funcionários da Petrobras criado em 1970. Ele está fechado para novas adesões desde 2002.

Trabalhadores

No plano, há 65 mil aposentados e pensionistas e 11 mil trabalhadores da ativa, espalhados no Brasil inteiro. No Estado, são 1.652 segurados, sendo 412 ativos e 1.240 aposentados e pensionistas.

 

Petros 2

Há outro plano para funcionários, chamado de Petros 2, criado em 2008. Hoje, conta com 50 mil trabalhadores e 2 mil aposentados e pensionistas. Este plano é superavitário.

 

O rombo

 

Motivos

O Petros 1 tem um rombo total de R$ 27,7 bilhões. Ele aconteceu por três fatores: decisões equivocadas de investimentos que não geraram retorno suficiente para cobrir as obrigações; o momento econômico ruim; e mudanças no perfil das famílias assistidas.

Investimentos

Entre os investimentos, o que causou mais prejuízo foi um fundo criado para colocar dinheiro na empresa Eldorado Celulose, do grupo J&F, que tem como um dos sócios o empresário Joesley Batista, preso

na Lava Jato.

 

Pagamento

 

A proposta

Pela proposta, funcionários e aposentados da estatal vão cobrir R$ 14 bilhões das perdas. A Petrobras também vai ter de contribuir com R$ 13,7 bilhões, sendo R$ 1,5 bilhão já no primeiro ano, a partir de dezembro deste ano.

Prazo

A proposta ainda vai ser analisada pelo conselho de administração da Petrobras e pela Secretaria de Coordenação e Governança das Empresas Estatais (Sest). Se aprovada, deve ser implementada no prazo de 60 dias.

Descontos

Quem ganha mais, paga mais. Os valores variam de R$ 236 a R$ 3.646. Alguém da ativa que recebe salário de R$ 10 mil, o desconto nos próximos 18 anos será de R$ 1.359,53 por mês, uma alíquota de 13,5%. Enquanto um aposentado na mesma condição terá de pagar R$ 1.924, alíquota de 19,2%.

 

Fonte: www.gazetaonline.com.br

 

  

Da Redação Multimídia
Departamento de Jornalismo (com informações: )
Kairós FM

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