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Perícia libera corpo de nove vítimas do naufrágio no Pará

O Centro de Perícias Científicas (CPC) Renato Chaves liberou aos familiares na noite da última quarta-feira os corpos de nove vítimas do naufrágio da embarcação irregular "Capitão Ribeiro", que segundo informações prévias transportava cerca de 70 pessoas. O acidente aconteceu na noite de terça-feira, no Rio Xingu, entre as cidades de Porto de Moz e Senador José Porfírio, numa área conhecida como "Ponta Grande do Xingu", no sudoeste do Pará. Ao menos 10 pessoas — sendo duas crianças — morreram na tragédia. Há 23 sobreviventes, segundo a Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social (Segup) daquele estado.

Ainda de acordo com a Segup, os mortos identificados são: Luciana Pires, de 28 anos; Neiva Romano, 18; Maria Duarte, 57; Aurilene Sampaio, 36; Lucivalda Marques Oliveira, 41; Roseane dos Santos Leite, 25; W.L.O (5 anos) — todas naturais de Porto de Moz. Ainda há Orismar Miranda, 61; e S.H.S.S (1 ano) — estes provenientes da cidade de Altamira. O CPC liberou os corpos com a expedição da declaração de óbito para todos os familiares. Apenas o corpo de um homem, conhecido como Sebastião, ainda aguarda o reconhecimento dos parentes. Ele é a décima vítima e seria da cidade de Santarém.

"Fizemos entrevistas com os familiares, a fim de identificar características das vítimas para ajudar no reconhecimento. Contudo, a liberação está sendo agilizada", disse o perito Felipe Sá, que coordenada a equipe de reconhecimento das vítimas composta de oito profissionais, entre peritos, médico legista e auxiliares das unidades regionais do Centro de Perícias.

Já o número de sobreviventes foi alterado e chega a 23, segundo a Defesa Civil estadual, que coordena as ações de busca, salvamento e atendimento social. Na manhã de ontem, as informações oficiais davam conta de 20 pessoas com vida. À tarde, o número subiu para 25. Depois, à noite, caiu para 19. E agora, numa última atualização na madrugada desta quinta-feira, fechou em 23.

O naufrágio

A embarcação Capitão Ribeiro saiu de Santarém, no oeste do Pará, às 18h de segunda-feira, e tinha escalas previstas em Monte Alegre e Prainha antes de chegar ao porto de Vitória do Xingu. O naufrágio aconteceu na última etapa da viagem, entre os municípios Porto de Moz e Senador José Porfírio, por volta das 21h de terça-feira. Segundo uma fonte ouvida pelo GLOBO, a embarcação teria autorização para ir apenas de Santarém à Prainha. A informação ainda precisa ser confirmada.

No entanto, a Agência Estadual de Regulação e Controle de Serviços Públicos (Arcon) do Pará informou na tarde de ontem que o navio não estava registrado e, portanto, não tinha autorização para transportar passageiros. Em nota, o órgão afirmou que “a embarcação estava realizando o transporte clandestino de usuários”. O navio M/B Capitão Ribeiro pertence à empresa Almeida e Ribeiro Navegação Ltda e, segundo a Arcon, a empresa foi notificada no dia 5 de junho, mas não regularizou o serviço.

Além da falta do equipamento de segurança, a correnteza e a falta de visibilidade teriam dificultado a tentativa de escapar do naufrágio. A embarcação naufragou a 500 metros da margem do rio. Ontem, o subcomandante do Corpo de Bombeiros em Belém, coronel Augusto Lima, informou que o barco está a 30 metros de profundidade. Porém, a força da água e a baixa visibilidade também atrapalham as buscas por sobreviventes. Lima disse que autoridades estaduais só tomaram conhecimento do naufrágio às 7h desta quarta-feira.

"O barco havia saído de Santarém com destino no porto de Vitória do Xingu. As informações preliminares falavam de 70 pessoas (a bordo), aproximadamente. Isso (o naufrágio) deve ter ocorrido pela parte da noite, mas a informação só chegou à parte de Segurança Pública às 7h. Imediatamente, equipes do Corpo de Bombeiros e da Polícia Militar foram deslocadas ao local. Temos dois aviões com técnicos da Defesa Civil, reforço de mergulhadores e um helicóptero (trabalhando no resgate). Temos uma balsa, que também dá atendimento hospitalar no local da ocorrência", informou Lima. — As dificuldades quando se trata de resgate fluvial são a questão da visibilidade e a correnteza.

A Marinha informou que o local do naufrágio era “bastante distante da margem” do rio, o qual, por sua vez, é “muito extenso” e tem “fortes correntes”. Responsável por fiscalizar o transporte aquaviário, o Comando do 4º Distrito Naval enviou duas embarcações ao local para ajudar nas buscas: um navio patrulha e uma lancha rápida. O órgão abriu um inquérito administrativo para apurar as causas do acidente e solicitou informações sobre a embarcação, entre elas a capacidade de passageiros, à Capitania em que foi registrada.

Operações de resgate

Dois aviões e um helicóptero (EC 145) do Grupamento Aéreo foram deslocadas pela Segup na manhã de ontem para a cidade de Porto de Moz. As equipes são formadas por mergulhadores do Corpo de Bombeiros, integrantes do Graesp e do Grupamento Fluvial, bem como peritos e representantes da Defesa Civil estadual e municipal.

As buscas do Corpo de Bombeiros foram mantidas até o fim da tarde de ontem e foram retomadas na manhã de hoje. Uma balsa e embarcações da Prefeitura de Porto de Moz são utilizadas na operação.

Uma embarcação com capacidade para aproximadamente 90 pessoas foi ancorada à margem do Rio Xingu, perto do local do acidente. Os bombeiros esperam que isso ajude nas buscas por sobreviventes.

Investigação

A Polícia Civil já ouviu sobreviventes da tragédia. Está previsto que o dono da embarcação seja ouvido amanhã (sexta-feira), na parte da manhã. Segundo ele, apenas 48 pessoas estavam a bordo, entre membros da tripulação e passageiros. Esta versão contraria a informação prévia de que havia cerca de 70 pessoas no barco.

De acordo com o delegado de Porto de Moz, Elcio de Deus, muitos sobreviventes afirmaram que a embarcação teria sido atingida por uma tromba d’água – fenômeno similar a um tornado.

"A tripulação disse ter visto, no horizonte, algo com o formato de uma funil, acompanhado de muita chuva e vento forte, e que teria pego o barco pela popa e o afundado. Disseram que a embarcação girou e afundou em seguida", relatou o delegado, em nota da Segup.

A Polícia Civil ainda vai solicitar informações à Agência de Regulação e Controle dos Serviços Públicos do Estado do Pará (Arcon) — a mesma que afirmou que a embarcação era clandestina — e à Capitania dos Portos sobre a autorização concedida ao dono da embarcação Capitão Ribeiro.

 

Fonte: www.gazetaonline.com.br

 

Da Redação Multimídia
Departamento de Jornalismo (com informações: )
Kairós FM

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