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Análise: Corinthians se fortalece a cada desfalque e funciona como um relógio

Com um elenco curto, o Corinthians começa a sofrer com desfalques, tem titulares desgastados e vai jogar, fora de casa, contra um dos times mais badalados do país. Sem perder há 32 jogos até o início da partida contra o Atlético-MG, quarta-feira, no Mineirão, a equipe de Fábio Carille corre, talvez, o maior risco de perder sua série invicta.

Longe disso. A vitória por 2 a 0 sobre o Galo, sem grandes sustos, mostrou um Timão que se fortalece a cada desfalque e continua funcionando quase que como um relógio. Uma falha aqui, outra ali, é verdade, mas sem abrir mão da organização. De maneira alguma. Mesmo quando não tem três titulares (Pablo, Jadson e Romero) e joga com outros dois desgastados em campo (Guilherme Arana e Maycon).


Em mais uma atuação coletiva que beirou a excelência, o Timão chegou aos 44 pontos, bateu o recorde do primeiro turno com uma rodada de antecedência e se mostrou, mais uma vez, imune aos problemas. Quem entrou, contribuiu de alguma maneira. Principalmente Clayson, incisivo pelo lado esquerdo do ataque, voluntarioso na recomposição e autor da assistência para o gol de Rodriguinho, que fechou a vitória alvinegra.


O Corinthians continua empilhando marcas no campeonato: melhor defesa (oito gols sofridos), mais jogos sem sofrer gols (agora 13 de 18), e agora o artilheiro Jô, com 11 marcados.

No próximo sábado, contra o Sport, às 19h (de Brasília), em Itaquera, chance de novo recorde. O Corinthians pode ser o primeiro clube do Brasileirão a terminar o primeiro turno invicto. Depois de tantas provas vencidas pelo time de Fábio Carille, a missão não parece improvável.


O JOGO

Preparado para a pressão dentro de um Mineirão cheio, o Corinthians encontrou um rival mais cadenciado, tocando a bola com paciência, o que acabou facilitando as ações da equipe de Fábio Carille. O Timão ditou o ritmo, teve mais posse durante boa parte do primeiro tempo e mostrou a concentração de sempre.

escalação foi a mesma do jogo contra o Fluminense, com Giovanni Augusto e Clayson abertos pelos lados na linha de três meio-campistas, com Rodriguinho centralizado. Com a bola, tudo certo: Clayson fez boas jogadas individuais, enquanto Giovanni, alheio às críticas, buscou jogo e abriu espaços para avanços de Fagner.

Clayson e Giovanni Augusto pelos lados: presença ofensiva, dificuldades na defesa (Foto: GloboEsporte.com)

Clayson e Giovanni Augusto pelos lados: presença ofensiva, dificuldades na defesa (Foto: GloboEsporte.com)

 

Sem a bola, porém, os problemas vieram. Sem a mesma capacidade de recomposição dos titulares Jadson e Romero, os dois deixaram espaços para Pablo, Cazares, Elias, Rafael Moura... Mais incisivo do que o Fluminense, o Galo criou suas chances pelos lados. A principal delas com Cazares, em bola invertida para a direita, quando Giovanni não acompanhou o meia, que errou o chute.

O Corinthians teve 49% de posse e apenas quatro finalizações, mas, mais uma vez, soube aproveitar falha do adversário para abrir vantagem. Fábio Santos deixou sua posição para dar combate em Rodriguinho e deixou as costas livres para Fagner e Giovanni Augusto – o lateral foi até a linha de fundo graças à movimentação do meia, que foi em direção à área e atraiu marcação.


No momento do cruzamento do lateral, um detalhe: três corintianos posicionados na área, mais um chegando livre. Maycon, que vinha de trás, desviou, e Jô, sozinho, marcou seu 11º gol no Brasileirão, aos 30 do primeiro tempo. A rotina se repete rodada após rodada. Cada erro do adversário é um castigo quase certo aplicado pela equipe de Carille.

Com o placar a favor, bastou ao Corinthians administrar o jogo sem a bola e aproveitar os espaços deixados pelos avanços do Galo. A fórmula funciona como um relógio: a cada desarme, um contra-ataque perigoso. O Timão chegou perto do segundo gol aos 13 e aos 19 minutos, em lances parecidos, com trocas de passes e superioridade numérica.

Superioridade numérica na área: foi assim no gol de Jô (e também em chances no segundo tempo) (Foto: Reprodução)

Superioridade numérica na área: foi assim no gol de Jô (e também em chances no segundo tempo) (Foto: Reprodução)

 

Primeiro, Rodriguinho exigiu grande defesa de Victor, e Clayson não aproveitou o rebote. Depois, um bate-rebate acabou nos pés de Jô, que foi travado por Fábio Santos na hora do chute.

Sem espaços pelo chão, o Atlético só levou algum perigo pela bola aérea, principalmente pelo setor de Pedro Henrique e Guilherme Arana – o primeiro perdeu algumas disputas pelo alto, enquanto o segundo, cansado, errou num corte e deixou Robinho livre. Chute para fora.

No terceiro contra-ataque do Timão, não teve jeito. Troca de passes no melhor estilo corintiano, com Clayson deixando Rodriguinho livre para dar um corte seco em Leonardo Silva e voltar a marcar depois de dois meses – não fazia desde 28 de maio, contra o Atlético-GO. A uma rodada do fim do primeiro turno, o desafio continua: quem pode fazer este Corinthians despencar?

 

Da Redação Multimídia
Departamento de Jornalismo (com informações: )
Kairós FM

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