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Mãe usa carrinho de mão para levar filho com paralisia à escola no ES

Levar o filho para escola pode ser uma tarefa fácil para muita gente, mas para dona de casa Isabel Aparecida dos Santos, esse ato se tornou um drama diário e uma verdadeira luta por acessibilidade. Messias, de 10 anos, tem uma paralisia. Sem transporte escolar, ele vai para a aula em um carrinho de mão, na localidade de Vila Fartura, zona rural de São Gabriel da Palha, Norte doEspírito Santo.

 

Sobrevivendo com menos de um salário mínimo, a mãe dedica integralmente o tempo para cuidar de Messias. O pai, José Jeremias de Jesus, trabalha informalmente, sem carteira assinada, para garantir o sustento da família e principalmente tentar suprir as necessidades do filho.

 

Hoje, no quarto ano do ensino fundamental, o menino só consegue ir para escola pela força dos braços da mãe. “Eu uso uma carriola, a estrada não tem calçamento, tem morro alto para subir e a poeira é horrível. Um poeirão danado. Mas, se eu quiser que ele estude tem de ser desse jeito”, disse Isabel.

 

O carrinho de obras, que é usado para conduzir Messias até a Escola Estadual Vera Cruz, é fruto de uma doação. Apesar de o ano letivo ter se iniciado em fevereiro, a primeira aula que ele assistiu foi em maio.

“Estou lutando para ver se conseguimos carro para levar ele para escola. Pelo menos até terminar o ano. Desde que começou as aulas, ele só foi um mês e pouco, porque eu não aguentei mais de dor. Eu não aguento mais”, desabafou.

'Nem cachorro é tratado assim'


O drama da família seria facilmente resolvido se a legislação fosse cumprida e um transporte estivesse à disposição dele para fazer esse trajeto de um quilômetro todos os dias.

Para garantir educação com dignidade para Messias, a família procurou ajuda da Defensoria Pública, que está movendo uma ação contra os órgãos públicos responsáveis.

“A gente sofre muito, porque é muita humilhação. Eu fui muito humilhada quando procurei a escola. Do jeito que nós estamos sendo tratados, nem cachorro é tratado”, reclamou a mãe.

Secretário municipal culpa família


O secretário de Educação de São Gabriel da Palha reconheceu que o transporte não está buscando o aluno em casa desde o início deste ano, devido à precariedade da rua que não tem espaço para ônibus, mas assegurou que a partir deste mês de junho, um carro voltará a buscá-lo.

 

A responsabilidade do transporte é dividida com o estado, mas o secretário culpou a família pela ausência da criança dentro de sala de aula.

“A família tem que fazer a parte dela. O que eles deveriam fazer é pegar essa criança e levar para o ponto de ônibus, que fica a 100 metros da casa dela. A partir daí o estado deveria arranjar um carro e levar esse menino para escola”, disse o titular da pasta.

 

A posição da prefeitura é contestada por especialistas. A presidente da Comissão Especial dos Direitos das Pessoas com Deficiência da OAB, Maristela Lugon, explica que as políticas públicas voltadas para esses cidadãos estão muito aquém do que prevê a lei.

“Isso é um absurdo. A prefeitura tem por obrigação oferecer o transporte para essa pessoa até mesmo para que ela se desloque para outros lugares, como para lazer, cultura, prática esportiva, isso tudo deveria ser oferecido pelo município”, afirmou.

Lei de acessibilidade


No Estatuto da Pessoa com Deficiência está previsto que “é dever do Estado, da família, da comunidade escolar e da sociedade assegurar educação de qualidade à pessoa com deficiência, colocando-a a salvo de toda forma de violência, negligência e discriminação”.

Do portão para dentro, Messias não encontra problemas com acessibilidade. Paradoxalmente, a escola onde ele estuda destoa dos dados relacionados às instituições rurais no Espírito Santo, e tem todas as dependências acessíveis.

No estado, segundo levantamento do último Censo Escolar, do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), apenas 8% das unidades localizadas na zona rural estavam adaptadas até 2014, ou seja, 104 das mais de 1,2 mil unidades de ensino.

 

Fonte:  g1.globo.com

 


Da Redação Multimídia

Departamento de Jornalismo (com informações: 
 g1.globo.com )

Kairós FM 

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